segunda-feira

Críticas à forma como foi prestada a homenagem a título póstumo ao Professor José Maria Moura (II)

O aproveitamento político de uma homenagem

A Câmara de Nisa resolveu homenagear o prof. Moura, a propósito das comemorações do 25 de Abril.
Este acto representa, para nós, uma indisfarçável manobra de aproveitamento político e de oportunismo, em ano de eleições autárquicas, para além de ser feito em "cima do joelho", decidido de um dia para o outro, como é timbre, aliás, deste executivo municipal. Basta dizer que o programa das comemorações do 25 de Abril em Nisa, não traz qualquer menção a tal iniciativa e que os eleitos da Assembleia Municipal apenas tiveram conhecimento da sua realização, na sessão realizada na véspera (dia 24) e num ponto da ordem de trabalhos que apenas referia "Homenagem a título póstumo", sem qualquer referência ao nome da personagem ou instituição a ser objecto da homenagem.
Natural de Nisa e residente a maior parte da sua vida em Alpalhão, o professor José Maria Pinheiro Moura faleceu em Janeiro de 2006, deixando uma vida multifacetada e um legado cultural, associativo, desportivo e educativo de inegável valor.
Foi futebolista, treinador, dirigente associativo, autarca, professor, educador, cidadão activo e actuante, defensor de causas.
A sua vida foi partilhada e dedicada a muitos cidadãos e instituições. Justo seria que, a ser homenageado, tal acto da mais nobre e elementar justiça, deveria envolver todas as associações, escolas, instituições, clubes desportivos, população do concelho e do distrito, antigos colegas, amigos e familiares, numa evocação digna da sua obra e memória.
A senhora Câmara não entendeu assim. Quis "antecipar-se", chamar a si os "louros" e "lembrança" de tal evento.
Tal manifestação de oportunismo revela a desorientação e intranquilidade que impera na Praça do Pelourinho.
O professor Moura merece, indiscutivelmente, ser homenageado. Mas de uma forma digna, elevada, com todos os intervenientes que fizeram parte da sua vida e do seu mundo, e não lembrado num acto público preparado à pressa e aproveitado como "bola de arremesso" e de lançamento de uma campanha eleitoral, como se a presidente da autarquia fosse a única e fiel depositária da sua memória.

Por Mário Mendes - Sociólogo

In jornal "O Distrito de Portalegre" de 30 de Abril de 2009

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